sábado, 21 de abril de 2012

Confissões de Daniele - O romance com a solidão

Nunca gostei de gente. Ok nunca é exagero. Porém, sempre tive dificuldades para me relacionar com outras pessoas. Desde muito pequena sempre fui muito introspectiva. Mas já gostei de gente. Aliás quem nunca teve sua fase "Sandy". A minha foi durante a infância e na adolescência, principalmente na infância. Sim, este é mais um caso da série "A infância explica". Eu gostava das pessoas e agia com elas sempre da melhor forma possível, sempre muito prestativa, sem nenhum interesse. Sabe aquela pessoa boazinha, um exemplo, sempre ali pra te ajudar e sem nem precisar pedir. Sim, essa era eu. Somente minha avó e meu irmão tinham se deparado com alguns traços de maldade... Mas como o mundo não é nenhum mar de rosas sempre tem aquela pessoa que te desperta pra vida. No meu caso foi uma coleguinha de escola, a qual não me recordo o nome. Porém, me recordo muito bem de suas palavras, como ela se referia a mim como idiota, devido ao meu lado bondoso. A partir daí comecei a olhar as pessoas de uma forma diferente... a partir daí comecei a odiar gente. Claro que não foi uma mudança radical, de uma hora pra outra, mas foi aí que ela se iniciou.

E com isso se iniciou o meu discurso de autossuficiência. Para que ter pessoas por perto, para que me relacionar com elas posso ser muito bem feliz sozinha. Até então, foi sempre muito fácil manter esse discurso  e defendê-lo com unhas e dentes. Fácil quando vc tem sua família, amigos, enfim, as pessoas que lhe são caras por perto. O problema foi quando eu realmente me dei de cara com a solidão. Quando me vi perdida no interior do país, numa cidade em que eu me sinto totalmente deslocada e a única coisa que me mantém viva é o meu trabalho. Nada de família, nada de amigos, só posso contar comigo mesma. Foi assim que a solidão que tanto evoquei apareceu, de repente e intensa.

A princípio não fui lá muito com a sua cara, mas como ela insistia em ficar dei espaço a ela. Ficamos amigas até que ela virou minha cia, minha única cia. E eu me vi a cada dia mais introspectiva e voltada pra mim mesma. Por alguns momentos realmente me tornei autossuficiente, apenas eu me bastava. Não tinha porque me relacionar com outras pessoas, perdi totalmente o interesse em conhecer pessoas, conversar e sim até nas cositas más. Como toda relação o começo foi ótimo. No entanto, veio o tempo e os conflitos foram surgindo. A solidão é ótima para lhe mostrar quem de fato vc é. E foi quando ela começou a  me desmascarar,a me mostrar a minha essência, que nossa relação azedou. Meu lado frágil, doce que sempre tentei esconder, porque nunca me agradou veio a tona. Construi uma personalidade forte, rude, grossa, áspera e fragilidade e doçura não tem lá muito haver com isso. Porém sempre soube que sou muito frágil... e a solidão insistia e ainda insiste em me mostrar isso... e mais, que eu não sei viver totalmente sozinha... que sou fraca e preciso de pessoas (claro aquelas por que tenho apreço) por perto. Ai começaram minhas paqueras com o surto e a depressão.

Não quero me entregar a eles pois sei que não é uma relação muito sadia. Estou tentando não cair em tentação... e manter uns fletes de leve com a solidão. Gosto muito dela, mas sua presença constante me suga muito, me tira o tesão das coisas. Espero que eu consiga... Relatarei aqui minhas experiências.